O Mártir – Capítulo 7


Capítulo VII –  Novos vizinhos

De longe despontava no caminho uma carruagem que demonstrava pessoa de posse, veio se aproximando enquanto as crianças se banhavam com a chuva, a carruagem parou em frente a porta de seu vizinho e desceu de lá uma família, não numerosa, pai, mãe e dois filhos, após essa carruagem, chegaram outras com os pertences dessa família, eram os novos vizinhos da família Celer.

O pai se chamava Maximus Teutos, tinha 58 anos, Maximus foi general de um exército romano, ferido em uma vista, fora então reformado, porém o Senador Maximiliano, principal senador de Roma requisitou os seus serviços, Maximus agora trabalhava para o serviço sujo dele, era um “matador”de políticos e gente graúda da época, Maximiliano alcançou muito poder com seus serviços, se alguém se opusera a ele no senado ou em qualquer lugar, Maximus executava as escondidas essa pessoa. Por questão de segurança de Maximus, Maximiliano o afastou da cidade, mas o manteve por perto, pleiteou então a terra daquele cristão para a família dele, e conseguiu, pois todos temiam o assassino dele.

A esposa de Maximus se chamava Judite Teutos, tinha 39 anos, sua filha, mais velha, se chamava Léia Teutos, tinha 11 anos e o filho caçula se chamava Isaac Teutos, tinha 6 anos. Judite era de linhagem israelita, abandonou os costumes e casou-se com “estrangeiro”, porém fez questão de nomear seus filhos com o nomes de origens israelita, Judite estava acostumada com as mudanças, pois pelas cidades pelas quais seu marido passava, deixava um rastro de crueldade e sangue, ela esperava que nesta cidade eles tivessem o “sossego”, que a tanto perseguiam. Era bem provável disso acontecer, pois a última cidade visitida por Maximus, era muito distante dali e a sua fama não chegara até aquelas redondezas, apenas alguns soldados sabiam e cuidavam para não espalharem pois senão teriam suas cabeças decepadas.

Pobre Casius, não sabia o qual colocou a sua família, porém pareciam ser bons vizinhos, e o melhor de tudo: não eram cristãos.

A noite chegou, continuava a chover, a família de Casius se recolheu, todos sorridentes por causa da inesperada chuva, Casius preparou todo as ferramentas, querendo ou não, Gaius, Vinni e Titus, teriam que voltar a árdua rotina, afinal, a chuva chegou. Ao lado, a noite na casa dos novos vizinhos foi intensa, a mudança era grande e a movimentação constante, porém ao adentrar a madrugada houve um sossego o que possibilitou a Casius dormir, visto que a movimentação de mudança produzia muito barulho, mas Casius não se atreveria a reclamar.

Chegou a alvorada, o céu começou a clarear, porém o sol levaria mais um tempinho para sair, Casius e seus filhos acordaram, fizeram um desjejum caprichado e partiram para trabalhar, arar a terra, separar sementes, fazer as covas para semente e etc. Essa rotina, porém, lhes proporcionava todas as vezes uma contemplação, eles presenciavam todas as manhãs a alva do dia, que era muito linda e intensa, pouco a pouco a luminosidade crescia, até que despontava o sol, tímido de início, mas a sua luz e calor, varria os céus a terra, e em instantes inundava toda a criação de Deus. Naquele manhã, porém o nascer do sol, disputava espaço com as nuvens esparsas da chuva que havia passado, mas não deixava de ser, mesmo assim, um espetáculo.

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