O Mártir – Capítulo 3


Capítulo III – Os primeiros …

Era de manhã, Casius tinha em seu vizinho direito uma pessoa de boa índole, plebeu como ele, sofredor como ele, porém cristão, nesse período de fome, Casius esqueceu da sua longa amizade e partiu para a ofensa.

–   É tudo culpa de vocês, malditos Cristãos ! Estou há dois dias sem comer, não chove em Roma há mais de 1 mês, e vocês ainda sorriem e adoram esse Deus que não está vendo o nosso sofrimento.

–   Casius, não é nossa culpa, não temos nada haver com isso, minha família também não como há 5 dias, estamos fracos, mas Jesus vai  …

–   Pare de falar desse tal de Jesus, ou irei denunciá-los a corte romana !

–   Não iremos parar de falar de Cristo, mesmo que nos leve a morte !

–   Então morrerão, com esses devaneios !

–  … Casius eu tive um sonho, e no sonho depois de amanhã haverá uma chuva branda e as nossas terras frutificarão, e haverá dentro 2 meses abundância de grãos e …

–   Chega, seu louco, esta delirando, estamos no período de seca, não choverá nem tão cedo, nem muito menos brotará grãos fora de época  ! Para mim é suficiente, vou denunciá-lo agora !

–   Amigo faça o que achas certo !

Casius chega em casa com o rosto vermelho, espumando de raiva como um cão raivoso, a raiva brotava em sua pele como o suor, não dava para esconder a ira de seus olhos e a sede de sangue inocente pairava no ar como uma terrível penumbra. Toda sua família percebeu, seus filhos se assustaram com o pai, estava irreconhecível, porém sua esposa sabia bem o que era, não fora a primeira vez que Casius ficara assim.

– O que foi Casius, outro cristão quis te converter ?

– Aquele doido do nosso vizinho, venho me contar de sonhos e delírios que o Deus dele disse para ele

– Que sonho ?

– Que choverá depois de amanhã uma chuva branda e que a terra frutificará e haverá fartura dentre dois meses !

– Hahaha…. Essa foi uma história bem engraçada, esses cristãos e suas histórias !

– Engraçada nada, vou entregá-los agora mesmo a corte romana !

– Casius não é para tanto …

– CHEGA !Interrompe Casius a sua esposa violentamente, apesar do aspecto do seu pai, seus filhos após saberem que se tratava de um cristão tentando converter o seu pai, consentiram com o sentimento de raiva de seu pai, como se o fato de tentar ser convertido, justificasse a extrema ira de qualquer adorador de Marte, o sanguinário.

– Isso mesmo pai, eles precisam de uma lição para aprender a respeitar a Marte. Disse Gaius.

– Morte aos Cristão ! Exclamavam os outros, mas dentre esses filhos apenas um teve uma ponta de curiosidade, foi o Lucius.

– Pai o que os soldados vão fazer com eles ?

– Não me interessa, não quero nem saber, eu quero que esses cristãos paguem pela fome que estamos passando.

Casius esperou iniciar à tarde, vestiu-se mais adequadamente, rapidamente saiu de casa, tomou sua montaria, e ao sair se deparou com a família do vizinho ajoelhada no seu campo de terra, eles estavam alegres e cantando, e dando louvores a Deus, parece que eles já sabiam o que lhes esperava, Casius não pôde deixar de maliciar o fim deles…“tolos, morrerão por essa crença falsa, não sabem o que lhes esperam”.Em um dia comum, o tempo hábil para se chegar à cidade era de aproximadamente 30 minutos a cavalo, Casius nesse dia fez em 20, parece que o ódio que corria em seu sangue contagiara o seu animal, o qual mostrou um desempenho nunca antes mostrado.

Ao chegar Casius foi direto a corte, na entrada da corte estavam 4 soldados todos paramentados, mostrando a todos que passavam quem detinha o poder. As armaduras e armas denunciavam a agressão do exército romano, o poderio, que estava ruindo já, mas ainda ostentava o luxo e a violência.

– O que fazes aqui plebeu ?

– Ave o Rei ! Sou o Casius e vim imediatamente denunciar meus vizinhos, eles são cristão e estão causando fome para o meu lar.

– Fizeste bem, meu bom homem, trataremos disso, que os bons deuses te acompanhem !

Casius saiu com orgulho, como se estivesse cumprindo um bom dever de romano e um bom servo de Marte, o sentimento de raiva agora passara a um sentimento de euforia, expectativa e ansiedade, estava anelando ver o que os soldados iriam fazer com os seus vizinhos.Com poucos trocados que tinha guardado Casius foi ao centro de comércio comprar algum mantimento, esse centro parecia uma caos, haviam bancas de mantimentos por todos os lados, negociadores de animais, e em meio a esse tumulto haviam prostíbulos, mulheres vendiam seus corpos na rua, em plena luz do dia. Apesar da sujeira o local tinha certa estrutura, era calçado de pedras, possuía água potável para os viajantes de outras cidades, mas a frente como separado do tumulto, haviam casas de banhos, e com freqüência era freqüentada pelo senado romano e por isso era com assiduidade que havia ali a guarda de soldados romanos.Perdido em negócios a hora se prolongou, o horário vespertino passara sem a percepção de Casius, o sol estava se pondo,o céu estava riscados de nuvens, e as cores produzidas pelo espetáculo crepúsculo, tons de rosa, e laranja, pintavam as nuvens esparsas. Casius de posse do mantimento cavalgou para casa, antes que a estrada ficasse escura demais, pois na pressa esqueceu as tochas para iluminar seu caminho.

De longe Casius avistou a guarda da corte na casa de seu vizinho, e conseguiu apressar-se para chegar e ver o que estava acontecendo, seus vizinhos estavam sendo arrastados sob a acusação de seguir seita estranha. Casius guardou o alimento rapidamente e foi, junto com sua família, ver o que se sucedia melhor.Os soldados agarraram pelos cabelos a esposa, e a sua filha, no colo dela carregava uma criança de 1 ano e 6 meses, o pai presenciava a cena no chão ensangüentado pela violência das pancadas que sofreu, ao colocarem a família cristã do lado de fora, despiram todos e acorrentaram uns nos outros, o Pai, a Mãe, a filha e até mesmo o bebê sentiu a corrente que imprensava seu corpinho contra o da sua mãe. Os soldados iam a cavalo enquanto os presos a pé até o centro, essa caminhada duraria 90 minutos no mínimo, ao passar em frente à casa de Casius, o soldado o saudou e o agradeceu, porém Casius não notou pois o seu olhar estava preso na cena vista, ele estava acostumado a ver isso, mas o olhar do seu vizinho era um olhar diferente, Casius esperava ódio, porém no olhar de todos daquela família injustiçada havia amor, e aquilo trouxe confusão não só para Casius mas para sua família também.A caminhada durou 2 horas, pois tiveram que parar no caminho algumas vezes para erguer os corpos feridos do esposo e da esposa. Chegaram e foram direto para o cárcere, um lugar úmido de terra batida, tamanha umidade que as portas de madeiras produziam fungos os quais eram usados às vezes como veneno para os presos. Todos foram acorrentados de forma que não pudesse nem sentar ou deitar, o cárcere era pequeno para aquela família e os roedores que ali ficavam, numa estreita abertura podiam ver as estrelas e a doce liberdade que perderam do lado de fora.Durante a noite, essa família cantava constantemente, e se confortavam com palavras de ânimo.

– Pai, que bom que estamos sofrendo por Cristo, que bom que seremos exemplos para o mundo.

– Isso mesmo minha filha, não desanime nem temas o que acontecerá de manhã, continuem firme todos vocês.

Rompeu-se a alvorada, o céu estava lindo, não havia nenhuma nuvem, parecia que denunciava que estava para receber 4 príncipes heróis da fé. Enquanto isso no cárcere as crianças adoeceram por causa da umidade, porém todos demonstravam vigor sobre-humano, na expectativa do que viria.O carcereiro abriu a cela, e soltou-os para que os guardas conduzissem para o tribunal, o tribunal era na praça do comércio, onde já estavam preparadas, num lugar mais a parte, lenhas e palhas para a fogueira. No tribunal estavam o então juiz, ao lado dele, o carrasco, e muitos soldados em volta para conter a multidão que clamava por sangue dos cristãos. Tudo era uma armação, visto que todos já sabiam o fim dos pobres cristãos.

– Ave o Rei ! Há aqui uma bula com a sentença de fogueira por adoração de Jesus, a sedição contra o poder de Roma e a causa de fome da Família Celer. Estamos dispostos à absolvição se renunciarem a Jesus, e admitirem que os deuses romanos são maiores.

– Senhor Juiz, eu e minha família temos seguido a Jesus por anos e anos, Ele nunca nos abandonou mesmo quando não merecíamos seu amor, não iremos abandoná-lo também !

– Mas se vocês persistirem irão para a fogueira.

– O senhor esta enganado, se persistirmos iremos para o Céu como filhos de Deus!

– Chega, lance-os no fogo agora !

Casius e sua família estavam lá e presenciaram mais uma cena de execução, e lá foram os cristão amarrados num poste com os corpos expostos, a mãe segurava com força o seu filho pequeno, todos gritavam palavras de louvor a Deus, o fogo começou a lamber a lenha e a palha, e inevitavelmente atingiu aquela família que morrera por um crime que não cometeram, mas morreram com sorrisos nos rostos e louvores no coração !

continuar lendo … (capítulo IV)

        

4 comentários sobre “O Mártir – Capítulo 3

  1. Pessoal comentem como está, oq ta ruim o q ta bom … por favor !!! Onde melhorar, se devo continuar .. (já mais um capítulo para ir par ao ar)

  2. Olá.. .
    Olha é a primeira vez que estou lendo, e esta bem intrigante eu ir so passar a ” vista por cima” mas não consegui parar de lé !

    Dica: Releia o texto, e tente reformular colocações de sentido .

    Mas a ídea esta muito boa..
    Parabéms !

    Ore por mim !
    Entre em contato pelo meu e-mail..

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