O Mártir – Capítulo 8


Capítulo VIII –  Venha comigo, vamos “trabalhar”

Otimismo era o que descrevia o sentimento da família Celler, ao que tudo indicava, haveria chuva, por mais que fosse improvável, e a sementeira de Casius está estufada esperando por essa boa nova.

Já era metade da manhã, e Casius e seus filhos já trabalhado além do normal devido à chegada da chuva, terra preparada, suor no rosto, porém na mente um grande conflito. Casius relutava para não pensar, mas ora ele se pegava pensando se o que o seu antigo vizinho, “o crente”, haveria falado sobre a chuva era real, pois se fosse, o Deus dele era real, e seria um grande conflito para Casius.

Na hora do almoço todos se reuniram a mesa, que por sinal, apresentava fartura, Vinni, ao que tudo indicava, apresentava as mesas indagações de seu pai.

– Pai, lembra que nosso antigo vizinho disse sobre a chuva?

– Sim, Vinni, e o que têm?

– É porque choveu pai, e eu estava…

– Cale a boca, Vinni, como ousa achar que o Deus dele mandou essa chuva!?

– Não sabes que pensando assim, desonrará a Ceres? Foi ela que nos livrou da fome, tempos atrás, e foi ela que nos mandou essa chuva.

– Mas pai…

– Vinni já chega !

Não dava mais para argumentar, pensou Vinni, porém as palavras de seu pai não foram convincentes. Após o almoço, os homens deitaram para descansar enquanto as mulheres trabalhavam, Maria arrumando a cozinha e Verônica a casa.

Durante o descanso, Casius teve um sonho aterrador, ele sonhou que havia um bebê, pequeno, saudável, com sorriso cativante e simpático, Casius no sonho carregava essa criança no colo e com sua família se dirigia para um grupo de cachorros raivosos e sem titubear lançava a criança para esses cães. A cena que Casius viu foi degradante, os animais, rasgavam o bebê, suas entranhas eram disputadas por ele, porém o bebê não chorou e nem desviou o olhar de Casius e sua família durante todo o tempo, durante todo o processo de devoração Casius presenciava a cena, como se estivesse gostando, e ficou melhor ainda, quando de repente numa disputa pelo coração, o sangue do bebê jorrou em Casius e sua família.

Casius acordou espantado do sono, coração palpitante, e ao levantar o Vinni estava acordado também, com lágrimas nos olhos, os dois se olharam e um não entendeu o estado do outro.Recompostos os ânimos, foram trabalhar, terminar o duro serviço de plantio.

Com a casa limpa, tanto a Maria, quanto Verônica, foram se deitar também, porém antes de deitar, Verônica avistou na janela, no bosque próximo a sua casa, um grupo de seis pessoas, se dirigindo para dentro da floresta, não seria nenhum espanto, visto que os adoradores da Mãe Terra, faziam isso, ia para as entranhas da floresta para oferecer sacrifícios a Mãe Terra, porém, algo dizia para Verônica que eles não eram adoradores da Mãe Terra, era um povo diferente.

Casius também presenciou a mesma cena, e também pensava como Verônica, e como se não bastasse o seu vizinho sanguinolento, Maximus, estava também à janela, viu a mesma cena, e seu pensamento consentiam com a do seu vizinho.

À noite é vinda, o sol reluta ainda e mantêm uma claridade esparsa no céu, porém as trevas prevalecem; é inevitável, Casius e seus filhos já estão recolhidos, quando de repente alguém bate a porta.

– Casius, venha aqui, é o seu vizinho, Maximus !

Casius apressasse e temeroso abre a porta.

– Tome Casius, pegue essa tocha e venha comigo!

– Nós vamos aonde ?

– Sem mais pergunta Casius, no caminho te conto mais detalhes.

Os olhos de Casius se arregalam, sua família teme o pior, Vinni corre e agarra o pai com muito medo, Maximus percebe que assustou a todos, porém vai logo se explicando.

– Não se assustem, seu pai irá me ajudar num serviço, logo estará de volta.

– Mas por que papai ? Perguntou Gaius.

– Seu pai se mostrou servo fiel de Marte, e cidadão romano correto ao denunciar os cristãos, por isso vim chamar seu pai.

Explicações dadas, risco de morte afastado, Casius toma a tocha e segue o Maximus, mais a frente há mais três homens, com tochas e espadas e lanças, logo um deles lança mão de uma espada sobressalente e a entrega a Casius.

– Tome, isso é para o serviço !

– Mas eu não…

– Não se preocupe, nós estaremos com você, apenas segure essa espada.

Todos caminham em direção a floresta, para o mesmo lugar onde mais cedo um grupo de pessoas havia entrado, Maximus começa a explicar a Casius o que se daria ali.

– Casius, essas são meus amigos, Leonardo, Festo, Marcos, soldados romanos, estão de folga, porém a lei não tira folga, mas cedo avistei um grupo de pessoas entrarem aqui, de início pensei que eram adoradores da Mãe Terra, porém eles era diferente. Vigiei para ver se iam sair, e como não saíram resolvi investigar.

– É estranho, geralmente esses adoradores, não ficam muito tempo assim, quando o grupo é pequeno. Ressaltou Festo.

– E é por isso que vamos ver quem são na verdade, disse Marcos.

A floresta era densa à medida que entravam mais, a escuridão a volta deles era de provocar arrepios em Casius, tudo tinha um toque sombrio, o reflexo da lua, mal penetrava as densas árvores, e quando o fazia, desenhava silhuetas sinistras, como de horripilantes criaturas. Nada se ouvia a não ser o crepitar das tochas, e rajadas de ventos que sacudiam as árvores, dando vida as silhuetas horripilantes.

Casius, achava tudo muito sombrio e de fato não entendia o que fazia ali, seguia aqueles homens, destemidos e totalmente aquém aquele cenário horripilante. Certo momento, como que um cão farejador, Maximus muda de rumo abruptamente, e parte acelerado em direção a uma gruta. Seus amigos desembainham a espada e o seguem como lobos seguem o líder de uma alcatéia, ao se aproximar, eles abaixam e fazem sinal de silêncio para Casius.

A gruta está escura, mas há uma fumaça saindo de dentro dela, Maximus aguarda para verificar se escuta algum som, porém nada eles escutam.

– Maximus, temos que ir verificar, alguém esteve ou está na gruta, disse Festo.

– Vamos em formação aberta de três e deixamos Casius na retaguarda, completou Leonardo.

– De acordo, porém eu vou pelo meio, Leonardo fica a esquerda e você Marcos a direita, Casius vêm atrás de mim, mas afastado, se alguém conseguir furar o bloqueio você o acerta.

Casius nunca fizera isso e não sabia se estava preparado para tal, não sabia o que aconteceria ali, porém a adrenalina já tomava conta de suas veias pela expectativa do que surgiria dali.

Eles se levantaram e vagarosamente foram caminhando até a entrada da gruta, a cada passo que davam para chegar mais perto, iam fechando a formação. Quando já estavam bem próximo a gruta, começaram a escutar uns grunhidos, e a medida eu iam chegando mais próximo, o som do grunhido ia aumentando, cada vez mais. Casius já estava todo apavorado a ponto de fugir dali, foi quando Maximus, destemidamente, adentrou na entrada da gruta e a iluminou com sua tocha. Ouviram um barulho de um bufar alto, e de repente, saiu da gruta um porco do mato em disparado com muito medo por causa da luz, o porco porém não superou o medo de Casius que deu um grito e na tentativa de correr caiu todo apavorado, Maximus e Festo não se incomodaram com isso, porém Marcos, sorrindo veio o levantar.

Não era suficiente para Maximus, havia fumaça ali, e ele não sossegaria se não fosse mais a fundo na gruta. Seus amigos e Casius recomposto do pavor, entraram com Maximus, não muito distante visualizaram umas lenhas fumegantes que de certo estava servindo de fogueira, presenciaram também pegadas no chão.

– Alguém esteve aqui, e não está muito longe, disse Maximus.

– E quem esteve não eram adoradores da Mãe Terra, não há nenhum sinal de sacrifício nem símbolo algum, disse Marcos.

– Símbolo há completou Festo que adentrou um pouco mais e como numa leve curva viu a marca de um peixe numa pedra.

Os outros se apressaram para ver, e constaram que aquela pedra grande, não era natural dali, era como se estivesse sido colocada ali de propósito. Foi quando os três começaram a verificar mais a fundo e viram pegadas que terminavam na reta da pedra misteriosamente, até que Casius avistou algo estranho.

– Olhe, uma pegada !

– Todos já vimos as pegadas Casius, repreendeu Maximus bruscamente.

– Mas não pegadas pela, metade como essa… Olhem…

Casius apontou, havia uma pegada pela metade, meia parte antes da pedra, e supostamente a outra parte debaixo da pedra, todos entenderam que aquela pedra era como um porta para outro compartimento, um lugar secreto e escondido. Sem perder tempo eles empurravam a pedra se dificuldade alguma e quando os primeiros clarões da tocha penetraram o lugar ele viram seis vidas, um casal com uma criança de colo, outro casal e um jovem. Todos estavam vestidos com roupas de camponês, maltrapilhos, e aparentavam estar debilitados.

Eles olharam assustados, e estavam muito temerosos, todos encolhido num canto abraçados, esperando o pior. Sem perder muito tempo, Maximus e os seus iluminara o local e encontraram alguns papiros, enquanto Maximus e Festo liam, Casius e Marcos vigiam para o grupo não fugir.

Estava constatado os papiros era cartas do Apóstolo Paulo enviadas aos Colossenses e Laodicenses, quando Maximus constatou isso, ele se acendeu em ira, como quando se acende uma tocha banhada de líquido inflamável.

– Malditos, estão se escondendo agora para não serem pegos ! Vocês vão morrer e da pior maneira que eu pude lhes proporcionar.

– Cachorros sarnentos, não estão fartos de enfrentar a arena e a espada da Grande Roma ? Não se encheram de ser espetáculo para Marte ? Disse festo.

Foi quando de repente, o semblante deles mudou, sabiam o que iam passar, tinham certeza que não teria volta, o olhar de medo passou a ter um brilho angelical, e o pavor se transformou em coragem.

– Morreremos, mas não duas vezes ! Estaremos em breve onde lutamos para estar.

Enquanto ainda dizia suas palavras, Marcos caminhou em sua direção e desferiu um violento golpe do seu rosto, o atingido era o mais velho, o golpe lhe cortou os lábios, o qual começou a sangrar, o bebê, no colo do outro casal começou a chorar, Festo puxou da espada e partiu em direção ao bebê, sua mãe o abraçou fortemente e seu pai saltou na frente do homem enfurecido.

– Não o mate ! É apenas uma criança de colo.

Festo parou e pensou, após algum tempo disse:

– Não o matarei aqui, o levarei para arena com sua esposa e com você.

Os outros consentiram com Festo, afinal poderiam pedir uma recompensa pelo que conseguiram. Porém a sede de sangue de Maximus era tanta, alguém deveria morrer, ele precisava embriagar-se com sangue inocente, seus olhos denunciavam isso.

– Um de vocês não sairá vivo desse lugar, escolham quem.

– Eu morrerei por eles, disse o jovem, ceife a minha vida para lhes dar um pouco mais de vida.

– Não diga isso, você não. Disse a esposa do marido que levou o golpe nos lábios.

– Eu sim, estou pronto, não se preocupem, vocês já sabiam que isso aconteceria.

Com pesar no coração eles concordaram, e unânimes se abraçaram e deram glórias a Deus, como por um milagre, os homens enfurecido não lhos impediram, aguardaram eles terminarem, como se lhes concedessem o último pedido. Logo que terminaram, Maximus rasgouslhe as roupas e com elas fez ataduras para o amarrar.

Já presos pelas mãos, e com parte do corpo desnudos, cinco saíram, um ficou com Maximus e Festo, Casius e Marcos acompanhavam o grupo e enquanto caminhavam ouvia o som abafado das pancadas sendo desferidas no jovem.

De alguma forma inexplicável, o jovem se recusava a morrer, estava todo ferido, porém o sorriso do rosto machucado, não saia nada dos lábios, sem demonstrar nenhuma resistência, ia sendo pisoteado, recebia golpes com pedras, punhos fechados, pontas-pé, grande parte dos dentes estavam espalhadas pelo chão. Casius não se importava com os sons ouvidos, porém os presos, choravam a cada barulho escutado.

Após meia hora de tortura e já cansado, Maximus põe o jovem de joelhos, o qual abre os braços e diz.

– Pai, a ti entrego o meu espírito.

– CALE-SE ! Grunhiu Maximus, e com um só golpe lhe decepou a cabeça.

2 comentários sobre “O Mártir – Capítulo 8

  1. CARA FICOU BALA MUITO BOM MAIS EU ACHO QUE VC DEVERIA USAR UMA LINGUAGEM MAIS SIMPLES DE SE ENTENDER UM ABRAÇO

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